terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Espelho, espelho meu, existe alguém mais eu do que eu?

Vocês não vão acreditar no que eu vou contar agora. Eu estava me olhando no espelho quando ele estourou em vários pedaços e junto com ele, também minha face se partiu inteira. Fiquei perplexo e me assustei, pois o sentimento da face se rompendo foi tão intenso que fiquei com medo de me olhar no espelho novamente. Admirei mais um pouco aqueles pedaços espalhados pelo banheiro, respirei fundo e resolvi me olhar no espelho do quarto. Quando olhei, me reconheci! Nunca tinha me visto tão eu. Não tinha visto até hoje uma imagem tão minha. Aquele era o que sempre fui, eu. Sim, realmente, não sei se existe um eu tão eu quanto aquela imagem refletida no espelho, me reconheci como nunca havia me reconhecido antes. Enfim quem se olhava era o mesmo que estava olhando.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Em comunhão com Deus

Me presenteou com o verdadeiro amor
Contido no perfume da melhor flor
Não chore amor meu
Esse é o desabrochar daquele que sou Eu

Nasceu em mim como uma flor
Encheu meu peito de alegria
Me conquistou

Me amarrou em seus braços
E com a carícia das folhas
Me perfurou

Nos espinhos
Gotas do perfume da noite
Que agora se ascende
Como um mistério a ser contado


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Sorriso encatador

Mas que sorriso encantador tem esse rapaz! Nos enche os olhos de alegria. É como quando o Sol sorri para a Lua e esta diz sim, te amarei para sempre. É como a serpente que dança majestosamente ao ouvir a flauta do seu mestre. É como o botão de rosa, que no primeiro sopro do vento, vence sua timidez e desabrocha.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A única incerteza era amar de mais.
Seu peito ardia pelas chicotadas das ondas do mar.
Pulsante era seu corpo que só encontrava paz na turbulência de mil vulcões.

Saudades, meu amigo

Ah! Então você está ai
Perto de mim
Dentro de mim

Me perdi de ti
Por instantes fiquei sem ar
Mas ao seu encanto
Ei de retornar

Não gostava das minhas palavras
Eram muito apaixonantes
Eu dizia me deixar levar
Pelos beijos dos amantes

Saudades de você meu amigo
Que num tempo distante
Econtrou paz
No mundo dos viajantes

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Peito fechado
Laços desfeitos
Difícil respirar
Dói aqui dentro

Sinto sua falta
Saudades de te amar
Onde está você
Meu porto, meu cais

sábado, 7 de setembro de 2013

Encruzilhadas

Caminhando retamente
Não encontrei nada
Além de serpentes

Isso foi um sinal
De que outro caminho
Deveria ser trilhado

Não era mais a larga estrada

No entardecer e na alvorada
Encontrei paz

Caminhando pelas encruzilhadas

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Anjo da guarda

Olhávamos um nos olhos do outro
Estarrecidos com tamanha beleza
Nos seus braços
Encontro a leveza

quinta-feira, 20 de junho de 2013

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Criação

Às vezes me apaixono
Pelo vôo da criação
Que penetra o peito
E atinge o coração

Pedaço arrancado
Procurando os Céus
Por trás das nuvens
Vejo seu véu

Quero você para mim
Pedaço arrancado
Que se foi
Deixando um apaixonado

é Céu?

Mas será que é Céu mesmo?
Porque até então
Era um misterioso segredo

Se bem que na poesia
Posso chamar do que quiser
Essa fogueira que ardia

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Mar sem fim

De encontro com aquilo que sempre fui
Encontrei no fundo da garrafa um pouco de rum

Me deleitei com paixões viscerais
Até encontrar aquilo que parece ser o meu cais

O fundo da alma transbordando
E agitando todo o mar

Já não somos mais vítimas da lucidez
Estamos entregues as correntezas
De um mar sem fim

Maré cheia
Maré baixa
Mas nunca parada
Sempre em movimento

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Acaso

Correndo pelo deserto
Salto bancos de areia
O sol não me queima

Feliz ao saltitar
Sob os olhos de Deus
Estou protegido
Pelos obscuros acasos

Regozijo

Andando passos silenciosos
Rabisco o medo da liberdade
E me vejo impregnado de horror

Inseguro de mim mesmo
Sento, espero
A dor passa aos poucos
Sou alérgico a mim mesmo

Passos finos
Hostis com o mundo
Penosamente dados
No concreto

São passos tímidos
Horrorizados com o ser quem se és
De encontro com o mal em mim
Regozijo

quarta-feira, 1 de maio de 2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Saudades de SER

Saudades de ser
O beijo do poeta na boca do leitor
A voz doce ecoando pelo corredor
O suave tom nos olhos do admirador

Saudades de ser
O cântico que enlouquece o pescador
O perfume mais louco que o de qualquer flor
Pairando pelos ares em busca do atento observador
Contaminando os lugares
Elevando almas aos céus
Na busca do puro êxtase
Num prazer doce como mel
Enlouquecendo o cidadão comum
Trazendo paz as almas assanhadas
Alimentando aqueles em jejum

Saudades de ser
O louco desvairado
Que corre pelado pela rua
Gritando pela amada
Que acredita ser só sua

Saudades de ser
A potência escondida
A fera oprimida
O coração a saltitar
Na calada da noite
Sedento pela criação
De um novo amanhecer
Transcendendo a correria do dia-a-dia
A loucura do trabalho, a mercadoria
Ser só um ínfimo grão de areia
Mas capaz de quebrar barreiras
E produzir a vida naquilo que um dia já esteve morto

domingo, 14 de abril de 2013

Carta às professoras


Olá professora
Ou será que devo chamá-la de doutora?
Começa ai minha ansiedade
Ao compartilhar contigo algumas particularidades

Decidi um dia rabiscar algumas palavras
E elas acabaram me transformando
Quando percebi
Estava completamente tomado

Descobri um mundo novo
Nas verdades da alma

E agora resolvi mostrá-las
Para quem interessar
Acredito que como amante da literaua
Possa lhe impressionar

Não prezo pelo português correto
Mas sim pelos sentimentos profundos
Escrevendo, escrevo para mim mesmo
Aquilo que acredito ser meu mundo

Amantes eternos. Eternos amantes

Acabei de tocar no mais íntimo de mim
Acariciei o sagrado
Uma emoção surgiu
Plantando flores no meu corpo todo

Não somos mais dois estranhos
Errando o caminho
Que nos levaria ao eterno encontro

Estamos próximos agora
Podemos nos tocar
Podemos nos sentir
É assustador!

Mas estamos sentindo saudades
Pelos momentos que não estaremos juntos
Como dois amantes
Separados por dois mundos

Quando nos aproximamos sentimos medo
Tamanha é a força do nosso enredo
Quando estamos longe, nos afastamos
Perdemos contato, somos dois estranhos
Tamanha é a nossa tristeza

Amor bobo é assim, delicado
Deve ser guardado com todo cuidado
Se isso não acontecer
Pode nunca mais ser lembrado
Correr, correr, correr
Talvez se esconder
Não!
Desse bicho não se foge

Pintar o sete
Descobrir o mundo
Capturar a princesa
Matar o dragão
Qual será a minha salvação?

Poetas e loucos
Desunidos por uma caneta
Não são mais eles que estão no comando
Será que sabem disso?

Correr, correr, correr
E jamais se esconder
De peito aberto para a vida
Ei de morrer

Pro fundo

Brincando com as palavras
Quero descobrir o mundo
Em união com meu ser
Quero ir mais profundo

Com urgência tateio o escuro
Buscando um contato íntimo
Com aquele que me disseram ser
o criador do mundo

Desenhando

Desenhar é perder-se
Caminhar pelas encruzilhadas
Sem saber o que vai encontrar
Arriscar aquele traço
Com medo de não se apaixonar

Desenhar é caminhar sozinho
É um passo no escuro
Procurando algo ou alguém
É desvendar os mistérios do paraíso
É o toque na flor que ainda não desabrochou

Desenhar é desentender-se com a pessoa amada
É apaixonar-se por outro
É apaixonar-se por si mesmo
É o assassinato da flor

Nesse mundo ainda vou me perder
É nesse mundo que quero viver
Esquecer as coisas banais
E mergulhar fundo
Tremendo pelo que ei de encontrar
Mas mesmo assim eu vou
De mãos dadas com a escuridão

Porque publico

Publicar para mim
É como transformar
Aquilo que não é meu
Em cumplicidade mútua

Nos transformamos eternamente
Em viajantes das palavras
Conduzidos nos caminhos escuros
Pelas pequenas luzes cintilantes

Aquilo que me vem
Transborda em palavras
Não vamos comer o pecado
Engolido tudo apressados

Digo nós, pois somos cúmplices!

Dois viajantes sorrateiros
Buscando no silêncio
Algo de verdadeiro

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Caiu um raio

O fato é que caiu um raio
Logo ali, naquela capela
O que há de se revelar por trás disso?
Não sei.

O fato é que caiu um raio
Não muito longe daqui
Na alma não tem distância
O que aconteceu lá
Também pode ter acontecido aqui

O fato é que caiu um raio
Posso até calcular os quilômetros
Mas não preciso saber a distância
Pois isso aconteceu logo ali

Posso pensar, posso chorar
Posso rir, posso gritar

O fato é que caiu um raio
E ele está dentro de mim
Sintilante, onipresente
Transformando rios de solidão

Quem sabe que raio é esse?
Alguém algum dia irá saber?
O fato é que caiu um raio
Seja lá o que isso pode nos dizer

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Cachorro, tererê, Adélia Prado e um caderno

Parece que um verso surgiu
Foi pegar a mosca
Mas ela fugiu

Olhos atentos
Uma borboleta voa
Qualquer movimento
É uma diversão

Brinco com a palavra
Talvez forme uma oração
Cada uma que sai
Surpresa, alegria, comoção

sábado, 26 de janeiro de 2013

O poeta que vive em mim

Eu não sou poeta
O poeta é quem é eu
Ele fala através de mim
Com sua voz uníssona

Ele vive em mim e vai se manifestar
Mas com ele não vou me identificar
Serei aquele que algo tem para me dar
Apesar de ainda ter medo e não me doar

Eu que sou ele
Ele que é eu
Quem somo nós afinal?
Dois viajantes famintos?

A cruz cravada no peito
Atravessado até o final
Gritando desesperadamente
Pelo beijo carnal

Poeta, cadê você?

Hoje a rima sumiu
Pensei
Talvez o poeta sucumbiu
Não sei

Será que está cansado como eu
Ou desistiu desse corpo
Sem dizer adeus

Poeta, poeta, poeta
Por favor, não se vá
Tivemos momentos tão bons

Rolou um clima
Rolou uma química
Por que se calou?

Eu deixo você participar
Em minha vida você pode entrar
Meu medo conquistaremos juntos
Numa paixão eterna unus mundus

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Cada gesto uma aventura
De transformar em ouro
Elevando-se às alturas

Eu Perdido

Já não sei mais se sou eu mesmo
Me perdi e não consigo mais me achar
Transformo tudo que dá em palavras
Mas ainda não sei quem vou encontrar

Esse que fala é outro
Alguém entrou em meu lugar
Daqui para frente já não sei mais
O eu que existia acabou por se ferrar

Desperto

Acho que hoje despertei.
Mas para o que?
Para o amor, para a dor?
Não sei, só sei que o silêncio nos conta tudo.

Roda Ciranda

Albertina minha querida
As palavras viraram brinquêdo
Cada uma que sai
Transforma meu mundo intêro

O que são elas?
Que me batem à porta
Convidando para um jogo
Ou talvez cozinhar uma torta

Isso não importa
Dentro da roda ciranda
O grande mistério da vida
Começa com um sopro

Pegando Fogo

Nossa gente, vocês não sabem o que me aconteceu
O poeta, que não sou eu
Revolveu brincar com o fogo que Deus lhe deu
Queimou a casa inteira acidentalmente

Quando me percebi, estava em chamas
Desesperado recorri aos amigos próximos
Segurei firme no ombro e pedi socorro
Graças a Deus eles me atenderam

Foi uma experiência incrível que não pude compartilhar
Somente àqueles que viveram veio a calhar
Mas pra mim foi de muito significado
E pude experimentar Deus um bocado

O Mistério da Chave

A chave da porta do banheiro caiu
Em consequência uma nova janela se abriu
Um novo sentimento meu peito invadiu
Transformei em palavras e acendi um pavio

O fogo queimou e me consumiu
Coço minha face, ainda não sumiu
Dá medo se você nunca viu
Pois assim, um louco sumiu

Transtorno do Cogumelo Selvagem

Era uma vez um cogumelo
Eram duas vezes um cogumelo
Eram três vezes um cogumelo
E não chegou a lugar algum

A selvageria o dominou
Pelos seus sentidos o capturou
Com suas espadas e lanças lutou
Mas nada adiantou

No deserto se afogou
E cambaleante se levantou
Batendo no peito gritou
O uivo profundo que o salvou

Na pedra trabalhou
Em uma obra a transformou
Exausto, descansou
E sua obra admirou