sábado, 26 de janeiro de 2013

O poeta que vive em mim

Eu não sou poeta
O poeta é quem é eu
Ele fala através de mim
Com sua voz uníssona

Ele vive em mim e vai se manifestar
Mas com ele não vou me identificar
Serei aquele que algo tem para me dar
Apesar de ainda ter medo e não me doar

Eu que sou ele
Ele que é eu
Quem somo nós afinal?
Dois viajantes famintos?

A cruz cravada no peito
Atravessado até o final
Gritando desesperadamente
Pelo beijo carnal

Poeta, cadê você?

Hoje a rima sumiu
Pensei
Talvez o poeta sucumbiu
Não sei

Será que está cansado como eu
Ou desistiu desse corpo
Sem dizer adeus

Poeta, poeta, poeta
Por favor, não se vá
Tivemos momentos tão bons

Rolou um clima
Rolou uma química
Por que se calou?

Eu deixo você participar
Em minha vida você pode entrar
Meu medo conquistaremos juntos
Numa paixão eterna unus mundus

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Cada gesto uma aventura
De transformar em ouro
Elevando-se às alturas

Eu Perdido

Já não sei mais se sou eu mesmo
Me perdi e não consigo mais me achar
Transformo tudo que dá em palavras
Mas ainda não sei quem vou encontrar

Esse que fala é outro
Alguém entrou em meu lugar
Daqui para frente já não sei mais
O eu que existia acabou por se ferrar

Desperto

Acho que hoje despertei.
Mas para o que?
Para o amor, para a dor?
Não sei, só sei que o silêncio nos conta tudo.

Roda Ciranda

Albertina minha querida
As palavras viraram brinquêdo
Cada uma que sai
Transforma meu mundo intêro

O que são elas?
Que me batem à porta
Convidando para um jogo
Ou talvez cozinhar uma torta

Isso não importa
Dentro da roda ciranda
O grande mistério da vida
Começa com um sopro

Pegando Fogo

Nossa gente, vocês não sabem o que me aconteceu
O poeta, que não sou eu
Revolveu brincar com o fogo que Deus lhe deu
Queimou a casa inteira acidentalmente

Quando me percebi, estava em chamas
Desesperado recorri aos amigos próximos
Segurei firme no ombro e pedi socorro
Graças a Deus eles me atenderam

Foi uma experiência incrível que não pude compartilhar
Somente àqueles que viveram veio a calhar
Mas pra mim foi de muito significado
E pude experimentar Deus um bocado

O Mistério da Chave

A chave da porta do banheiro caiu
Em consequência uma nova janela se abriu
Um novo sentimento meu peito invadiu
Transformei em palavras e acendi um pavio

O fogo queimou e me consumiu
Coço minha face, ainda não sumiu
Dá medo se você nunca viu
Pois assim, um louco sumiu

Transtorno do Cogumelo Selvagem

Era uma vez um cogumelo
Eram duas vezes um cogumelo
Eram três vezes um cogumelo
E não chegou a lugar algum

A selvageria o dominou
Pelos seus sentidos o capturou
Com suas espadas e lanças lutou
Mas nada adiantou

No deserto se afogou
E cambaleante se levantou
Batendo no peito gritou
O uivo profundo que o salvou

Na pedra trabalhou
Em uma obra a transformou
Exausto, descansou
E sua obra admirou