quarta-feira, 17 de abril de 2013

Saudades de SER

Saudades de ser
O beijo do poeta na boca do leitor
A voz doce ecoando pelo corredor
O suave tom nos olhos do admirador

Saudades de ser
O cântico que enlouquece o pescador
O perfume mais louco que o de qualquer flor
Pairando pelos ares em busca do atento observador
Contaminando os lugares
Elevando almas aos céus
Na busca do puro êxtase
Num prazer doce como mel
Enlouquecendo o cidadão comum
Trazendo paz as almas assanhadas
Alimentando aqueles em jejum

Saudades de ser
O louco desvairado
Que corre pelado pela rua
Gritando pela amada
Que acredita ser só sua

Saudades de ser
A potência escondida
A fera oprimida
O coração a saltitar
Na calada da noite
Sedento pela criação
De um novo amanhecer
Transcendendo a correria do dia-a-dia
A loucura do trabalho, a mercadoria
Ser só um ínfimo grão de areia
Mas capaz de quebrar barreiras
E produzir a vida naquilo que um dia já esteve morto

domingo, 14 de abril de 2013

Carta às professoras


Olá professora
Ou será que devo chamá-la de doutora?
Começa ai minha ansiedade
Ao compartilhar contigo algumas particularidades

Decidi um dia rabiscar algumas palavras
E elas acabaram me transformando
Quando percebi
Estava completamente tomado

Descobri um mundo novo
Nas verdades da alma

E agora resolvi mostrá-las
Para quem interessar
Acredito que como amante da literaua
Possa lhe impressionar

Não prezo pelo português correto
Mas sim pelos sentimentos profundos
Escrevendo, escrevo para mim mesmo
Aquilo que acredito ser meu mundo

Amantes eternos. Eternos amantes

Acabei de tocar no mais íntimo de mim
Acariciei o sagrado
Uma emoção surgiu
Plantando flores no meu corpo todo

Não somos mais dois estranhos
Errando o caminho
Que nos levaria ao eterno encontro

Estamos próximos agora
Podemos nos tocar
Podemos nos sentir
É assustador!

Mas estamos sentindo saudades
Pelos momentos que não estaremos juntos
Como dois amantes
Separados por dois mundos

Quando nos aproximamos sentimos medo
Tamanha é a força do nosso enredo
Quando estamos longe, nos afastamos
Perdemos contato, somos dois estranhos
Tamanha é a nossa tristeza

Amor bobo é assim, delicado
Deve ser guardado com todo cuidado
Se isso não acontecer
Pode nunca mais ser lembrado
Correr, correr, correr
Talvez se esconder
Não!
Desse bicho não se foge

Pintar o sete
Descobrir o mundo
Capturar a princesa
Matar o dragão
Qual será a minha salvação?

Poetas e loucos
Desunidos por uma caneta
Não são mais eles que estão no comando
Será que sabem disso?

Correr, correr, correr
E jamais se esconder
De peito aberto para a vida
Ei de morrer

Pro fundo

Brincando com as palavras
Quero descobrir o mundo
Em união com meu ser
Quero ir mais profundo

Com urgência tateio o escuro
Buscando um contato íntimo
Com aquele que me disseram ser
o criador do mundo

Desenhando

Desenhar é perder-se
Caminhar pelas encruzilhadas
Sem saber o que vai encontrar
Arriscar aquele traço
Com medo de não se apaixonar

Desenhar é caminhar sozinho
É um passo no escuro
Procurando algo ou alguém
É desvendar os mistérios do paraíso
É o toque na flor que ainda não desabrochou

Desenhar é desentender-se com a pessoa amada
É apaixonar-se por outro
É apaixonar-se por si mesmo
É o assassinato da flor

Nesse mundo ainda vou me perder
É nesse mundo que quero viver
Esquecer as coisas banais
E mergulhar fundo
Tremendo pelo que ei de encontrar
Mas mesmo assim eu vou
De mãos dadas com a escuridão

Porque publico

Publicar para mim
É como transformar
Aquilo que não é meu
Em cumplicidade mútua

Nos transformamos eternamente
Em viajantes das palavras
Conduzidos nos caminhos escuros
Pelas pequenas luzes cintilantes

Aquilo que me vem
Transborda em palavras
Não vamos comer o pecado
Engolido tudo apressados

Digo nós, pois somos cúmplices!

Dois viajantes sorrateiros
Buscando no silêncio
Algo de verdadeiro